A Reforma Tributária inicia sua fase de testes em 2026 e exige adaptação imediata das transportadoras. Mesmo com implantação gradual, os impactos começam antes: novos tributos, novas regras e muito menos espaço para erros fiscais. O atual modelo, fragmentado e cheio de particularidades estaduais e municipais, dará lugar ao IVA dual (IBS + CBS), que substitui ICMS, ISS, PIS e COFINS. O sistema ficará mais simples na estrutura, mas mais rigoroso no controle, pedindo organização, documentação impecável e tecnologia atualizada.
Um dos pontos mais sensíveis é a apuração assistida. A Receita passa a calcular automaticamente os tributos, e qualquer inconsistência precisa ser corrigida diretamente no documento fiscal. Com isso, a cadeia inteira se torna corresponsável, exigindo que transportadoras controlem de perto o comportamento fiscal de fornecedores, agregados e subcontratados. Em um setor onde ainda existe informalidade, é uma virada profunda.
Outro impacto importante é o split payment, previsto para 2027, que envia o imposto diretamente ao governo no momento do pagamento e reduz o valor líquido recebido pelo fornecedor. Isso altera o fluxo de caixa e pode pressionar empresas que já operam com margem apertada. Ao mesmo tempo, operações com agregados exigirão muito mais rigor: sem documento fiscal válido, nenhum crédito será liberado, e qualquer falha de registro pode travar toda a apuração.
Com o fim gradual do ICMS, também desaparecem muitos dos benefícios fiscais associados a ele. Apenas alguns mecanismos permanecem, como a imunidade na exportação, enquanto outros devem mudar e nem sempre serão aplicáveis ao transporte. Por isso, é essencial revisar cenários financeiros e avaliar o impacto da perda desses incentivos.
Diante desse cenário, especialistas recomendam iniciar imediatamente a revisão de contratos, a adequação dos sistemas (TMS, ERP e plataformas de emissão), o controle rigoroso da documentação de agregados e fornecedores, o planejamento financeiro para absorver o split payment e o treinamento das equipes. Não se trata de uma mudança burocrática, mas de uma nova lógica operacional. Adaptar-se cedo significa segurança, previsibilidade e competitividade; aguardar pode resultar em autuações, perda de créditos e prejuízos.


